O termo está associado à emigração de
grupos organizados de Judeus da Europa para a Palestina nos seculos 18 e
19. No entanto esta movimentação de população ocorreu por razões
remotamente associadas ao que se tornou eventualmente o Sionismo. A mais
importante razão dessa movimentação foi a conveniência – uma forma de
escapar a perseguições sancionadas pelo governo Russo e outros países
Europeus.
No final do seculo 19, um grupo de
mini-soberanias na Alemanha uniram-se para forma o estado nação Alemão, e
um similar desenrolar processou-se na península Italiana que produziu o
estado nação Italiano. Por analogia a esse processo, a ideia de que o
povo Judeu era uma nação espalhou-se entre os Judeus secularistas
(não praticantes), que não viam mais o Judaísmo como a fonte da sua
entidade comum. Vários pequenos grupos de Judeus Europeus tentaram
promover a ideia e tomar os primeiros passos para organizar uma pátria
Judaica, mas tiveram pouco sucesso na sua tentativa.
À noção de que os Judeus deveriam ter a
sua própria pátria foi dada a designação de “Sionismo” em 1891 por
Nathan Birnbaum, um Austríaco militante da ideologia. Mas dar um nome a
esta ideologia pouco fez para que ganhasse aceitação.
Em 1894, o caso Dreyfus (uma condenação
fraudulenta por traição de um oficial Judeu no exercito Francês)
desencadeou uma onda de anti-Semitismo em França que empurrou o Sionismo
para a ribalta entre os Judeus Europeus. Dois anos mais tarde, Theodor
Herzl, um jornalista Vienense, publicou o “Der Jundesntaat” (O estado
Judeu) que definia um plano para o desenvolvimento de uma pátria Judaica
na Palestina. No ano seguinte, o primeiro congresso Sionita realizou-se
em Basel na Suíça.
O entusiasmo pelo programa de Herzl veio
quase inteiramente dos Judeus secularistas, especialmente Judeus
secularistas que tinham aderido ao socialismo utópico.
Os Judeus religiosos regra geral se opunham ao projecto de Herzl porque
viam-no como uma idolatria que propunha substituir Deus com uma
invenção humana (o estado) como centro da vida Judaica.
No início do século 20, o Sionismo que
estava a ganhar grande aceitação entre os Judeus não praticantes era a
proposta de criar a sua pátria na Palestina. Sionitas estavam divididos
sobre a questão se a sua terra mãe poderia ser ou não governada por um
estado Judeu. Antes do fim da Primeira Guerra Mundial, a alternativa a
um estado passava por uma pátria dentro do Império Otomano que era então
controlado pela Palestina. Depois da Primeira Guerra Mundial, a
alternativa para um estado era uma pátria dentro do mandato Britânico na
Palestina.
Antes do tempo das Crusadas, Judeus e
Arabes viviam lado a lado na Palestina, por vezes beneficiando do
comércio entre eles e na maioria dos casos tolerando-se uns aos outros.
De 1900 para a frente, o crescimento da população Judaica sustentada
pelo fluxo de imigração de Judeus Europeus em conjunto com a ascensão do
nacionalismo Árabe (focado inicialmente nos Otomanos como inimigo),
abalou a tolerância que tinha durado por séculos. Basicamente bastou a
organização de governos para a destruir.
Em 27 Novembro de 1947, as Nações Unidas
aprovaram o particionamento da Palestina em um estado Judeu e um estado
Árabe. A guerra entre os estados, que foi basicamente criada
artificialmente, rebentou no espaço de dias. A 14 de Maio do ano
seguinte os gestores do lado Judeu da guerra declararam a existência do
Estado de Israel. O vizinho Árabe do novo estado, o Reino da Jordânia,
invadiu Israel no dia seguinte. Apesar de Israel e Jordânia
eventualmente terem chegado a um acordo pacifico, não houve mais paz
desde então entre Israel e o mundo Árabe desde o dia em que o Sionismo
tornou.se um programa de governo.
Muito do anti-semitismo que se assiste
actualmente deveria ser dirigido especificamente ao Sionismo e não à
comunidade Judaica em geral, ou seja deveria ser catalogado como
anti-sionismo.
O anti-sionismo é a oposição política,
moral ou religiosa às várias correntes ideológicas incluídas no
sionismo, inclusive ao estado judeu, criado com base nesse conceito.
Eventualmente, o termo também é muitas vezes aplicado à oposição
política ao governo de Israel, sobretudo se motivada por denúncias de
violações sistemáticas de direitos humanos dos palestinos, incluindo
crimes de guerra.
Em Israel e em todo o mundo, milhares de
judeus - incluindo desde judeus étnicos agnósticos e activistas
marxistas, como Ralph Shoenman, Michel Warschawski e Norman Finkelstein,
até rabinos adeptos do judaísmo ultra-ortodoxo, como os integrantes do
movimento Neturei Karta e os hassidim - se considerem anti-sionistas.
Alguns proeminentes intelectuais judeus,
tanto os que defendem a desocupação dos territórios palestinos como os
que pregam a eliminação do Estado de Israel, são considerados
anti-semitas pelas organizações Sionistas, e, eventualmente, as
autoridades governamentais proíbem seu acesso ao território Israelita.
Muitos anti-sionistas condenam o
movimento sionista por ter promovido a ocupação das terras da Palestina,
com o objectivo de criar o Estado de Israel, que consideram artificial.
A definição de Israel como estado judeu ainda suscita controvérsia e
oposição há mais de sessenta anos, assim como a ocupação dos Territórios
Palestinos - entre os Israelitas e também fora de Israel. De qualquer
forma, conceptualmente o anti-sionismo não se confunde com
anti-semitismo, anti-judaísmo, negação do holocausto ou hostilidade
contra os judeus em geral.
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