quinta-feira, abril 12, 2012

Sionismo

"Sionismo" é um termo que tem levado muitas vidas, o que explica a confusão - às vezes intencional, outras vezes inadvertidamente - que frequentemente acompanha o seu uso.
 
O termo está associado à emigração de grupos organizados de Judeus da Europa para a Palestina nos seculos 18 e 19. No entanto esta movimentação de população ocorreu por razões remotamente associadas ao que se tornou eventualmente o Sionismo. A mais importante razão dessa movimentação foi a conveniência – uma forma de escapar a perseguições sancionadas pelo governo Russo e outros países Europeus.

No final do seculo 19, um grupo de mini-soberanias na Alemanha uniram-se para forma o estado nação Alemão, e um similar desenrolar processou-se na península Italiana que produziu o estado nação Italiano. Por analogia a esse processo, a ideia de que o povo Judeu era uma nação espalhou-se entre os Judeus secularistas (não praticantes), que não viam mais o Judaísmo como a fonte da sua entidade comum. Vários pequenos grupos de Judeus Europeus tentaram promover a ideia e tomar os primeiros passos para organizar uma pátria Judaica, mas tiveram pouco sucesso na sua tentativa.

À noção de que os Judeus deveriam ter a sua própria pátria foi dada a designação de “Sionismo” em 1891 por Nathan Birnbaum, um Austríaco militante da ideologia. Mas dar um nome a esta ideologia pouco fez para que ganhasse aceitação.

Em 1894, o caso Dreyfus (uma condenação fraudulenta por traição de um oficial Judeu no exercito Francês) desencadeou uma onda de anti-Semitismo em França que empurrou o Sionismo para a ribalta entre os Judeus Europeus. Dois anos mais tarde, Theodor Herzl, um jornalista Vienense, publicou o “Der Jundesntaat” (O estado Judeu) que definia um plano para o desenvolvimento de uma pátria Judaica na Palestina. No ano seguinte, o primeiro congresso Sionita realizou-se em Basel na Suíça.

O entusiasmo pelo programa de Herzl veio quase inteiramente dos Judeus secularistas, especialmente Judeus secularistas que tinham aderido ao socialismo utópico. Os Judeus religiosos regra geral se opunham ao projecto de Herzl porque viam-no como uma idolatria que propunha substituir Deus com uma invenção humana (o estado) como centro da vida Judaica.

No início do século 20, o Sionismo que estava a ganhar grande aceitação entre os Judeus não praticantes era a proposta de criar a sua pátria na Palestina. Sionitas estavam divididos sobre a questão se a sua terra mãe poderia ser ou não governada por um estado Judeu. Antes do fim da Primeira Guerra Mundial, a alternativa a um estado passava por uma pátria dentro do Império Otomano que era então controlado pela Palestina. Depois da Primeira Guerra Mundial, a alternativa para um estado era uma pátria dentro do mandato Britânico na Palestina.

Antes do tempo das Crusadas, Judeus e Arabes viviam lado a lado na Palestina, por vezes beneficiando do comércio entre eles e na maioria dos casos tolerando-se uns aos outros. De 1900 para a frente, o crescimento da população Judaica sustentada pelo fluxo de imigração de Judeus Europeus em conjunto com a ascensão do nacionalismo Árabe (focado inicialmente nos Otomanos como inimigo), abalou a tolerância que tinha durado por séculos. Basicamente bastou a organização de governos para a destruir.
Em 27 Novembro de 1947, as Nações Unidas aprovaram o particionamento da Palestina em um estado Judeu e um estado Árabe. A guerra entre os estados, que foi basicamente criada artificialmente, rebentou no espaço de dias. A 14 de Maio do ano seguinte os gestores do lado Judeu da guerra declararam a existência do Estado de Israel. O vizinho Árabe do novo estado, o Reino da Jordânia, invadiu Israel no dia seguinte. Apesar de Israel e Jordânia eventualmente terem chegado a um acordo pacifico, não houve mais paz desde então entre Israel e o mundo Árabe desde o dia em que o Sionismo tornou.se um programa de governo.
Muito do anti-semitismo que se assiste actualmente deveria ser dirigido especificamente ao Sionismo e não à comunidade Judaica em geral, ou seja deveria ser catalogado como anti-sionismo.

O anti-sionismo é a oposição política, moral ou religiosa às várias correntes ideológicas incluídas no sionismo, inclusive ao estado judeu, criado com base nesse conceito. Eventualmente, o termo também é muitas vezes aplicado à oposição política ao governo de Israel, sobretudo se motivada por denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos dos palestinos, incluindo crimes de guerra.

Em Israel e em todo o mundo, milhares de judeus - incluindo desde judeus étnicos agnósticos e activistas marxistas, como Ralph Shoenman, Michel Warschawski e Norman Finkelstein, até rabinos adeptos do judaísmo ultra-ortodoxo, como os integrantes do movimento Neturei Karta e os hassidim - se considerem anti-sionistas.

Alguns proeminentes intelectuais judeus, tanto os que defendem a desocupação dos territórios palestinos como os que pregam a eliminação do Estado de Israel, são considerados anti-semitas pelas organizações Sionistas, e, eventualmente, as autoridades governamentais proíbem seu acesso ao território Israelita.
Muitos anti-sionistas condenam o movimento sionista por ter promovido a ocupação das terras da Palestina, com o objectivo de criar o Estado de Israel, que consideram artificial. A definição de Israel como estado judeu ainda suscita controvérsia e oposição há mais de sessenta anos, assim como a ocupação dos Territórios Palestinos - entre os Israelitas e também fora de Israel. De qualquer forma, conceptualmente o anti-sionismo não se confunde com anti-semitismo, anti-judaísmo, negação do holocausto ou hostilidade contra os judeus em geral.

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